CRS328 com um stick GPON Alcatel-Lucent G-010S-P: só TX, sem RX, wavelength lê 33685 nm
Estou tirando minha linha FTTH residencial da ONT da operadora e passando para um stick GPON no meu próprio roteador, para a fibra cair direto no rack e eu ficar com uma caixa em vez de duas. O stick é reconhecido, a porta sobe, e depois nada volta.
- MikroTik CRS328-24P-4S+, stick na sfp-sfpplus1
- Alcatel-Lucent G-010S-P GPON ONU
- FTTH da Bell Canada, fibra da caixa de parede direto no módulo
- porta fixada, autoneg desligado:
/interface/ethernet set sfp-sfpplus1 auto-negotiation=no speed=1G-baseX
Os contadores de TX sobem, os de RX ficam em zero, e a página do módulo mostra isto:
wavelength: 33685.00nm
O que já fiz:
- reencaixei e limpei o conector, tentei uma segunda gaiola SFP+
- tirei a fibra completamente - o valor de wavelength não muda, com ou sem ela
- deixei a porta fixada em 1G por uma hora, para o caso de ser algo lento de ranging
Então: 33685.00nm é evidência de que a óptica desse stick está morta, ou o switch está simplesmente decodificando errado esse campo da EEPROM para um módulo GPON? E tem alguma coisa do lado da operadora que precisa acontecer antes de uma ONU SFP ter permissão para sequer fazer ranging?
Comments 6
Tem duas coisas separadas no seu post e só uma delas é falha de verdade.
O 33685.00nm é um artefato de decodificação, não uma medição. Esses sticks são dual-wavelength - 1310 upstream, 1490 downstream - e o switch lê um único campo de wavelength da EEPROM como se fosse um transceptor comum com um laser só. Você vai ver o mesmo número num stick passando tráfego numa boa, então é inútil como diagnóstico. Deixe isso de lado.
O tráfego de mão única é a unidade em si. Passei por isso no mesmo switch, um CRS328-24P-4S+: o G-010S-P transmitia e nunca recebia nada, e a linha subiu no momento em que troquei por outro módulo da mesma família - um O-010S-P, a variante de temperatura estendida. Mesma conta, mesma fibra, nenhuma mudança de config. Então o primeiro stick estava com defeito ou era a variante errada para aquela linha.
Mantenha a porta fixada enquanto testa, senão você adiciona uma segunda variável:
Com ALCLFAB no serial e a conta já migrada para uma ONU SFP, sua metade com a operadora está feita. Tenha um segundo stick em mãos antes de gastar mais uma noite nisso.
Antes de descartar a óptica, confira a metade chata. Em muitas contas FTTH, uma ONU SFP não é um substituto direto da caixa da operadora: a conta tem que ser reprovisionada manualmente para ela, e algumas operadoras só aceitam um módulo cujo serial carrega o prefixo de fabricante delas. TX sem nada voltando é exatamente a cara de uma ONU não autorizada, visto do lado do assinante.
Poste o que o stick reporta de vendor e serial, e diga o que você configurou do lado da WAN - tag de VLAN, PPPoE ou DHCP.
O serial começa com ALCLFAB, que é o prefixo que eles querem numa conta FTTH empresarial aqui. A conta também foi reconfigurada manualmente para uma ONU SFP - isso levou um telefonema, o primeiro atendimento não fazia ideia do que eu estava pedindo.
Do lado do roteador é VLAN 35 na porta SFP com um cliente PPPoE em cima. O cliente nunca passa da fase de discovery. Os contadores de RX continuam travados, e a leitura permanece em 33685.00nm com a fibra conectada ou não.
Para estender o ponto do wavelength: o campo que o switch está lendo mora na área do SFF-8472 e foi definido para um módulo com um laser só. Uma ONU GPON tem um transmissor em burst-mode e um receptor em wavelengths diferentes, então não existe um único valor correto para colocar ali, e cada fabricante escreve o que bem entende. Nada no padrão obriga o host a validar esse byte antes de imprimir, e é assim que você acaba com nanômetros de cinco dígitos.
A mesma lógica vale para as linhas de potência óptica desses sticks. Se você precisa saber como o lado PON está indo, pegue isso do próprio estado da ONU, não da página de diagnóstico do switch.
Vale dizer que o lado do host nisso não é uma esquisitice do MikroTik. Na família 7210 SAS a documentação do fabricante é direta sobre isso: as versões antigas não implementavam DDM de jeito nenhum, então as portas não mostram potência óptica nem temperatura mesmo com módulos que suportam isso, e a orientação é checar qual versão adiciona a função para a sua variante. Para módulos que o fabricante não forneceu, o mesmo guia diz que o diagnóstico pode até aparecer, mas não assume nenhuma responsabilidade pela formatação ou precisão dele.
Também existe uma flag de capacidade na EEPROM do módulo que decide se a plataforma trata um SFP como DDM-capable, e módulos que não setam essa flag ainda conseguem imprimir números com cara de plausíveis que ninguém validou.
show port <port> detailé onde se lê isso lá. Eu trato um valor de terceiros nessa caixa como uma pista, nunca como medição - que é mais ou menos a atitude que seu 33685 merece.Fechando isso: um segundo stick resolveu. Coloquei um O-010S-P, o cliente PPPoE subiu na VLAN 35 em menos de um minuto, nenhuma mudança do lado da operadora e nada mexido na config da porta. O G-010S-P antigo faz a mesma coisa de só TX em outra gaiola, então para mim está morto.
E sim - o módulo que funciona também reporta 33685.00nm. Ainda bem que eu não passei a semana perseguindo esse número.